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segunda-feira, 8 de junho de 2015

História de sucesso em autopeças


Cleber Coura Coutinho é empreendedor e dono da loja 1100 autopeças em Belo Horizonte. Com mais de 30 anos de experiência no ramo, Cleber contou ao Blog do Comércio Varejista como está reagindo à crise econômica. Segundo o empresário, sua maior orgulho é ser referência na capital mineira, não pela quantidade de vendas, mas pela forma como ele toca seu negócio.



Como foi abrir um negócio de autopeças?
Eu comecei a minha empresa em 1986, na época do governo Sarney e do Plano Cruzado. A empresa era pequena, só eu e outro empregado.  Quando fizemos um ano, eu percebi que a forma de trabalho não estava dando certo e a margem que eu colocava nos produtos não estava sendo suficiente para cobrir os custos. Por isso, tive que mudar a estratégia e a empresa cresceu.

Como a 1100 autopeças está hoje?
Hoje, minha empresa é muito conhecida pelos lojistas da região. Não só pela quantidade de vendas, mas pela forma de se trabalhar. É disso que eu mais me orgulho. Eu toco a empresa buscando fazer as coisas da forma mais correta possível, respeitando as leis, os recursos humanos, selecionando pessoas qualificadas e valorizando meus funcionários.

O que mais você desenvolveu?
Ao longo da minha carreira, eu percebi que o mercado de autopeças era muito desunido. Em 1992, tive a oportunidade de viajar com um colega lojista para visitar uma fábrica de autopeças no interior de São Paulo. Na ocasião, eu comentei com ele que sentia muita falta de conviver com outros lojistas e ele comentou isso com outro colega. Foi em 1996 que nós três sentamos e conseguimos criar a primeira associação dos lojistas do segmento, a Rede Peça Mais. Nós buscamos apoio do Sebrae, criamos estratégias para conseguir mais associados e demos treinamentos para subir o nível de conhecimento em administração dos associados. O resultado foi muito positivo, conseguimos criar uma rede de cooperação a nível nacional. Em 2005, a Rede Peça Mais, que tinha 25 lojas, se juntou a Rede Ancora totalizando 85 lojas. Hoje, esta rede cobre aproximadamente 850 lojas em 16 estados do Brasil.

Como você está reagindo à crise econômica?
Não podemos negar que o país está em crise, mas acredito que eu ainda não estou sendo afetado, acho que pela minha forma de trabalho. Estou sempre buscando apoio do Sebrae e melhorando meu conhecimento intelectual. Acho estar preparado é a melhor maneira de combater este momento de águas turbulentas.

A 1100 autopeças já participou do programa Pequenas Empresas, Grande Negócios. Conheça mais sobre a história do empreendimento no vídeo:


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A empresária que apostou no brigadeiro antes dele virar febre

Juliana largou o jornalismo para ser empresária
Foto: Divulgação
Na cozinha do sítio da avó, em Franca, interior de São Paulo, Juliana Motter aprendeu as primeiras noções do que viria a ser sua profissão no futuro. Os cuidados de Dona Ignês com o preparo das encomendas ficaram gravados na memória da neta. De toda a produção que ajudava a complementar a renda da família, Juliana gostava mesmo era de ver o preparo dos brigadeiros.

A afinidade com o docinho genuinamente brasileiro ultrapassou a infância. Hoje, ela comanda a Maria Brigadeiro, o primeiro ateliêr do País especializado em versões gourmet da guloseima.

“Voltava do sítio com o leite condensado feito pela minha vó e fazia meus brigadeiros”, relembra a empresária. O resultado das incursões de Juliana à cozinha rendeu a ela o apelido que hoje dá nome à loja, localizada na Zona Oeste de São Paulo.  “Sempre que havia aniversário, dava de presente. Os meus pais eram meio hippies e incentivavam. Ficou como uma marca minha”, conta.

A ligação emocional que criou com o brigadeiro ao longo dos anos extrapolou quando Juliana, já adulta, decidiu abandonar o jornalismo para empreender. “As coisas aconteceram de forma muito orgânica. Foi como um quebra-cabeça que foi se encaixando”, relembra.Depois de ter cursado gastronomia e fazer cursos de capacitação na área de confeitaria, nasceu a Maria Brigadeiro.

O conceito original da loja, inédito ainda tratando-se de brigadeiro, um doce até então condenado às mesas de festas infantis, agradou. No local, é possível encontrar mais de 40 sabores do doce, além de louças e embalagens criativas, que transformam a guloseima em artigo para presentes.

Com o sucesso do empreendimento vieram também os concorrentes. Hoje, as lojas especializadas em brigadeiros já estão presentes em praticamente todas as capitais do País. No entanto, Juliana – precursora do movimento que abriu os olhos da alta gastronomia para o potencial do docinho -, não perdeu mercado. Em sua loja, aproximadamente 5 mil unidades são produzidas diariamente.

Todas elas passam por um rígido controle de qualidade feito por 40 funcionários para assegurar produtos frescos. “Eu fico muito triste quando vejo a desconstrução do conceito do brigadeiro gourmet. Isso não é um benefício. Fazer brigadeiro faz parte da vida de muitas pessoas. Faz parte da minha vida e eu vou honrar o doce. Vou fazer tudo o que eu puder e vou continuar a inovar”, finaliza.
Fonte: Estadão PME - Blog do Empreendedor

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"É preciso gostar muito de gente", diz Robinson Shiba, fundador do delivery China in Box

Durante encontro com empreendedores, ele conta que relacionamento é a base para quem quer crescer

Foto: André Lessa/Estadão
Dentista por formação, Robinson Shiba administra
grupo de quatro empresas que faturam R$ 239,8 mi
O sucesso do grupo TrendFoods, administrador de marcas como China in Box, Gendai, entre outras, deve-se muito ao fato de Robinson Shiba dar atenção ao conselho do pai, que sempre exaltou o empreendedorismo como forma de garantir a sobrevivência da família.

Formado em odontologia – assim como o filho –, o pai de Shiba mantinha em São Paulo uma loja especializada em vender materiais para construção.

Durante muito tempo, o negócio foi administrado paralelamente à clínica da família na zona sul da capital – mais tarde, o empreendimento seria vendido para uma grande rede varejista.
“Meu pai sempre dizia que ter um segundo negócio é um seguro. Ainda mais para o dentista. Se acontecer de machucarmos a mão, a gente para de trabalhar e, com isso, não temos receita. O dentista tem de ter outra fonte de rendimento”, lembra o empresário.

O ‘seguro’ de Shiba foi no setor de alimentação e ele compriu a contento a lição doméstica. Afinal, seus negócios faturaram R$ 239,8 milhões no ano passado. “Acabou que não deu para conciliar a carreira de dentista, como meu pai. Fiquei com os negócios”, diz Shiba.

O empresário participou do Encontro PME com pequenos empresários. Confira agora os principais trechos.

Relacionamento.
O grupo TrendFoods é formado por 234 unidades da marca China in Box, Gendai, Brevità e Owan. Questionado sobre o sucesso do negócio, Shiba destacou o relacionamento com os franqueados como ponto de destaque. “Eu gosto de gente”, diz ele. “Faço reunião com a rede pelo menos quatro vezes por ano. Meu celular todo mundo tem o número e pode me ligar no final de semana ou feriado. Quando o franqueador parar de atender seu franqueado, ele não pode mais estar à frente do negócio. Tem de virar presidente do conselho, fazer alguma outra coisa”, afirma o empreendedor de êxito. 

Shiba também foi questionado sobre o baixo índice de desligamento de franqueados da rede (5% ao ano). “O negócio tem de ser bom. Se ele ganhar dinheiro, pagar a escola do filho, comprar apartamento, montar a segunda loja, não vai sair.”   

Erros. O empresário explicou ainda que não prevê novos aportes em duas marcas administradas pela TrendFoods: Brevità, de culinária italiana, e Owan, voltada à cozinha oriental. Resultados financeiros abaixo do esperado motivaram a decisão. “Não é a primeira vez que isso acontece. Cheguei a ter 13 negócios simultâneos. Hoje são basicamente dois. Então, errei em onze. Tentaria de novo? Sim, em todos eles. Eu erro por fazer.”
 
Mídias Sociais.
O investimento em marketing e publicidade sempre foi visto pelo fundador do China in Box como um dos pilares para a expansão do grupo. No início da operação, quando Shiba trabalhou por dois anos apenas com lojas próprias, 25% do faturamento era revertido para ações de comunicação. Hoje, 7% do dinheiro vai para campanhas de divulgação. 

A novidade nesse processo, conta ele, é o interesse da empresa nas mídias sociais, que começam a pautar, inclusive, o lançamentos de produtos. 

“Temos uma agência que monitora as redes social e isso alimenta muito o nosso departamento de marketing. É uma coisa em que todo mundo tem de investir. É barato e certo. A cada ano cresce a parcela destina às redes sociais do dinheiro reservado para o marketing. Com R$ 1 mil você hoje faz (redes sociais)”, concluiu.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Estratégia de criar marcas próprias também pode fazer parte dos planos dos pequenos negócios

Pizzaria Speranza vende seu "próprio" vinho desde 1998 e também investe em azeite e geleias

Foto: JF Diorio
Novidade. Celso Cassas negocia com italianos o
lançamento de novos vinhos da pizzaria
Ter seu logotipo estampado no rótulo de diversos produtos não é estratégia usada apenas por grandes companhias. Pequenos e médios estabelecimentos também seguem a tendência de valorizar a própria marca. É o caso, por exemplo, da Pizzaria Speranza. O restaurante, localizado em São Paulo, vende seu ‘próprio’ vinho desde 1998 e também investe no azeite e geleias Speranza.

A pizzaria é uma das mais tradicionais de São Paulo – foi fundada em 1958 por Dona Speranza e Francesco Tarallo. Quando a casa completou 40 anos, surgiu a ideia de lançar um produto próprio. “Pizza combina com vinho e acabamos criando uma marca de bebida com quatro tipos de uva”, conta o diretor do restaurante, Celso Cassas. “Fizemos uma pesquisa em diversas vinícolas e a que mais chamou a nossa atenção foi a Salton”, relata o executivo, revelando um pouco sobre como foi a escolha do fornecedor do vinho.

No aniversário de 50 anos, foi lançada uma série comemorativa com 6 mil garrafas e, neste ano, foi a vez do Speranza Patrimônio – mais uma opção da bebida para o cliente. “Para o ano que vem, estamos negociando uma parceria com dois produtores italianos. Os nossos vinhos são os mais vendidos e tem gente que compra de caixa”, diz Cassas. 

A pizzaria vende em média entre 4,5 mil e 5 mil garrafas todos os anos. O sucesso da linha fez a pizzaria lançar, em 2004, dois tipos de azeite e seis tipos de geleia. “A ideia surgiu porque os clientes sempre perguntavam sobre os produtos que usamos, quem são nossos fornecedores. Aí resolvemos lançar o azeite e a geleia. É uma forma de fortalecer a marca da pizzaria”, afirma o administrador do local.

Para Roberto Nascimento, diretor da agência Target e especialista em marcas próprias, qualquer empresa – não importa o porte – pode ter produtos que levem sua marca. Mas antes é preciso elaborar uma estratégia que contemple todas as etapas do processo. “É simples, mas não é só colocar o nome no rótulo”, alerta Nascimento.

Planejamento
Por isso mesmo, Roberto Nascimento aconselha o pequeno empresário a estudar sobre o que é necessário fazer para agregar valor a sua marca e torná-la ao mesmo tempo sustentável e perene. “Nos últimos cinco anos, aumentou muito o número de pequenas e médias empresas investindo nessa estratégia como forma de aumentar a rentabilidade, fidelizar o consumidor e se diferenciar da concorrência”, pontua o especialista no segmento.

Além de formular um plano para criar uma marca própria confiável, o pequeno empreendedor precisa pensar sempre na qualidade. Por isso, é importante estipular critérios rígidos de seleção dos fornecedores. É importante ainda pensar muito a respeito da embalagem e até mesmo sobre como será o atendimento do consumidor no ponto de venda.

Variedade 
A Fazenda Dona Carolina, localizada entre Itatiba e Bragança Paulista, no interior de São Paulo, também investe em produtos com o nome do local. “O nosso hotel tem uma loja de objetos personalizados. Os hóspedes têm interesse em levar lembranças do local”, relata a assistente de direção da empresa, Juliana Stefani Siqueira.

Na lista de objetos personalizados estão difusores, aromatizadores de ambiente, chinelos, camisetas, boné, bichinhos de pelúcia, cafés, cachaças e doces. “É uma forma dos visitantes lembrarem da nossa marca”, completa Juliana Siqueira. Para 2013, a executiva planeja o lançamento de novos produtos e mais modelos de roupas.

A Aromas e Cia, da empresária Rosana Hollo, fornece produtos tanto para grandes quanto para pequenas empresas. “Ter opções com marca própria não é coisa só para grande lojistas”, conta Rosana, que vende os aromatizadores para hotel, loja de bijuterias e móveis. Como dica, Rosana aconselha o pequeno lojista a testar antes a aceitação dos consumidores em relação ao produto para depois investir no rótulo próprio. “É uma tendência mesmo as pequenas investirem nesse mercado”, afirma a empreendedora.

O ramo de atuação de quem coloca dinheiro no segmento é bem variado. Prova disso é o exemplo do Grupo Wood´s, que administra sete baladas sertanejas. O produto escolhido para levar a marca do grupo foi a água mineral. “Percebemos que o pessoal pedia muita água na saída, na hora de pagar a conta, e resolvemos lançar para fortalecer a nossa marca”, diz o sócio-diretor do grupo, Rafael Setrak.

A água é produzida pela empresa Ouro Fino e envasada em embalagem Tetra Pak, que conserva melhor o líquido. Antes de colocar o produto à disposição em todas as unidades, porém, a empresa preferiu realizar um teste. O projeto-piloto começou na unidade de Curitiba, no Paraná, mas deve chegar nas demais unidades mantidas pela empresa até fevereiro do próximo ano. Em média, cada casa do Grupo Wood´s vende entre 4 mil e 6 mil garrafinhas de água todos os meses. O valor do produto oscila entre R$ 4 e R$ 5 cada. 


Fonte: Estadão PME

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ex-sacoleira de sapatos femininos cria mais de 20 lojas em 30 anos

Fotos: UOL
Telma Maia Polo passou de sacoleira de sapatos a
empresária, e é dona da rede de franquias Lessô
Há cerca de 30 anos, a enfermeira Telma Maia Polo já fazia sucesso vendendo calçados no hospital em que trabalhava como chefe do centro cirúrgico em São José do Rio Preto (438 km a noroeste de São Paulo). Ela incrementava sua renda revendendo sapatos comprados na capital.

“Eu era sacoleira, viajava e voltava com malas e malas cheias de pares. Vendia para as amigas dos hospitais da cidade”, conta. Hoje, ela está à frente da rede de lojas de sapatos e acessórios femininos Lessô, fundada por ela há 28 anos e que possui duas lojas próprias e 16 franquias nas regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste. Fora isso, tem lojas de outras marcas.

Polo enfrentou as dificuldades típicas das sacoleiras – fazer longas viagens e carregar sacolas pesadas. “Quando meu pai viu o que eu passava, pagou meu irmão para me acompanhar e me ajudar a carregar o peso”, diz.

Já naquela época, a vocação comercial de Polo era tão grande que não demorou para que ela trocasse de profissão e apostasse suas fichas numa loja de calçados. Alugou a garagem de uma amiga e montou o estabelecimento com apenas algumas prateleiras e poltronas para que as clientes pudessem experimentar os sapatos.

A sorte é que a garagem da amiga ficava ao lado de uma famosa butique da cidade. Então, o movimento de mulheres era grande. Segundo ela, mesmo as clientes chiques da butique entravam por "curiosidade" na sua garagem e encontravam sapatos diferentes dos que havia na cidade.

“Fui criando relacionamento, conquistando clientes. Cuidava de todas as atividades da loja e, quando ia ao banco, levava a sacola de sapatos para vender. Até hoje tenho clientes daquela época e continuo levando os produtos até elas, mas agora são motoboys que levam os sapatos na casa das clientes para elas experimentarem”, diz.

Relacionamento garantiu clientes e parcerias comerciais 

A marca própria Lessô está se
expandindo por meio de franquias
O relacionamento sempre foi o forte da empreendedora, tanto com clientes, quanto com fornecedores. Segundo Polo, isso garantiu parcerias e exclusividade de modelos por parte dos fabricantes.

Durante a transição de sacoleira a empresária, ela foi sofisticando seus produtos e adaptando o negócio. Polo foi uma das primeiras a vender as marcas Arezzo e Victor Hugo no interior. Ela mantém duas lojas multimarcas e uma da Victor Hugo, de sapatos, bolsas e carteiras, além da marca Lessô.

A expansão por cidades do interior inicialmente foi um processo natural, segundo a empreendedora, mas a Lessô já está em capitais como Rio de Janeiro e Brasília.

Hoje em dia, em vez de viajar para São Paulo para comprar por atacado, ela visita a Europa e os Estados Unidos em busca de inovação para seus produtos, que são fabricados por parceiros no Brasil. Alguns dos modelos são exclusivos para sua marca.

“Junto com meus fornecedores, invisto em pesquisa e desenvolvimento”, declara. A rede apresentou crescimento de 10% no faturamento em 2011 e possui duas linhas diferenciadas de produtos -a Mezzo Punto, de sapatos sofisticados e que é de uma empresa desvinculada da Lessô, e a Lessôzinha, de tamanhos infantis.

Polo já foi conselheira do Conselho da Mulher Empresária e Empreendedora, da qual foi fundadora, e diretora da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto.

Por seu empreendedorismo, Telma ficou entre as 10 finalistas do prêmio Mulher de Negócios do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em 2010.


Fonte: UOL

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Loja de tapetes amplia mercado em Curitiba

Empresário consegue reverter situação de quase falência e inaugura mais três lojas

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagem
Com dificuldade para pagar as parcelas do financiamento que havia tomado junto ao sistema financeiro, o empresário Carlos Guedes só enxergava uma saída: fechar a loja de tapetes aberta em 2002, quando ele se mudou de São Paulo (SP) para Curitiba (PR). A inadimplência comprometia a saúde financeira do empreendimento. 
 
Era o ano de 2006 e a história parecia se repetir. Antes disso, quando ainda morava na capital paulista, Guedes foi obrigado a fechar uma oficina mecânica pelas mesmas razões. Só que agora ele estava disposto a mudar a sorte da loja e resolveu acatar o conselho da esposa. “Ela tinha ouvido falar que o Sebrae ajudava empreendedores. Corri até lá e foi paixão à primeira vista”, conta ele sobre o início da relação com a instituição. 

Já na primeira consultoria o empresário levou um susto. Foi aconselhado a mudar o ponto da loja, que funcionava numa rua de difícil acesso. A mudança não estava nos seus planos, mas Guedes acatou a sugestão e oempreendimento foi para um endereço movimentado, vizinho a lojas de móveis e materiais de decoração. “Fiz o que o Sebrae falou e não é que deu certo? Em novo endereço, passei a vender mais”, relata. 

Mas não foi só isso. O empresário foi aconselhado a fazer o Empretec, seminário de uma semana ministrado pela instituição em forma de imersão para desenvolver comportamentos e características empreendedoras. Para Guedes, foi uma transformação. “Mudei a maneira de ver o negócio”, diz. 

Sob orientação do Sebrae, os funcionários passaram por reciclagem, a  loja ganhou um novo padrão visual e passou a se chamar Cia. do Tapete. O empresário frequentou outros cursos, como o Varejo Mais – mais venda, mais competitividade, voltado à melhoria do comércio varejista. “Depois dos cursos, mudei a forma de vender”, explica Carlos. 

Em 2008, pouco mais de 18 meses após ter procurado o Sebrae como última esperança para salvar o seu empreendimento, Carlos Guedes inaugurou a segunda loja de tapetes. No ano seguinte, 2009, veio a terceira e a quarta surgiu em 2011. Uma oficina para consertar e reparar os tapetes foi montada em outro endereço. As quatro lojas e a oficina empregam ao todo 28 pessoas. 

De olho no futuro, Carlos Guedes planeja transformar a Cia. do Tapete em pequeno atacado, capaz de fornecer tapetes para pequenos comércios da região metropolitana de Curitiba, Ponta Grossa, Guarapuava e litoral. Os serviços de reparo dos tapetes já atendem a terceiros e os planos incluem a transformação da empresa numa franquia.  
40 anos
A trajetória desse e de outros milhões de empreendedores faz parte da história do Sebrae, instituição criada em 1972 para fomentar e desenvolver os pequenos negócios no Brasil. “Estamos completando 40 anos de atividades com resultados muito positivos na melhoria da gestão empresarial e da competitividade dos microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas”, ressalta o presidente do Sebrae, Luiz Barretto. “Individualmente, uma empresa não faz diferença, mas no conjunto, os empreendimentos desse porte são 99% das empresas e fortalecem a economia do país”, completa. Saiba mais sobre os 40 anos do Sebrae na internet: www.onegocioeacreditar.com.br


Serviço:
Agência Sebrae de Notícias
(61) 3243-7851 / 3243-7852 / 2104-2771 / 2104-2775 / 9977-9529
Central de Relacionamento Sebrae: 0800 570 0800
www.agenciasebrae.com.br
www.twitter.com/sebrae
www.facebook.com/sebrae


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Sucessão nos negócios: pai e filho comandam restaurante de sucesso

Com técnica e talento, Rodrigo Oliveira ajudou o pai a transformar o Mocotó, restaurante da família, em referência

Foto: Werther Santana/AE
José e Rodrigo, pai e filho, conseguiram colocar o
restaurante Mocotó no mapa da gastronomia do país
O restaurante Mocotó, responsável por colocar o bairro paulistano da Vila Medeiros no mapa da gastronomia brasileira, prova que uma empresa familiar pode melhorar – em vez de desandar – quando chega à segunda geração. A casa, aberta pelo pernambucano José Oliveira de Almeida em 1973, ganhou apuro técnico na cozinha e gestão profissional em 2005, quando Rodrigo Oliveira passou a dividir com o pai a condução do negócio.

Não seria justo com seu José dizer que o Mocotó só virou um sucesso depois de Rodrigo. Nada disso. Quando era menor, o Mocotó já vivia com as mesas ocupadas e a reputação da cozinha sempre foi boa na região.

Mas no momento em que Rodrigo se graduou em gastronomia, mudou as receitas e reorganizou o restaurante, o Mocotó atingiu outro patamar: ganhou respeito no sofisticado mundo gastronômico, chamou a atenção da imprensa e atraiu um público amplo. Decolou.

Hoje, o local atende cerca de 20 mil consumidores por mês. Como o tíquete médio é de R$ 35, estima-se que o faturamento mensal do restaurante chegue a R$ 700 mil. A clientela, antes formada apenas por moradores da região, agora engloba também políticos, artistas, jogadores de futebol e outras celebridades. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é um dos novos frequentadores. “Mas quando ele veio aqui teve de encarar a fila de espera como todo mundo”, garante seu José.

Ser um lugar simples e democrático é uma das características que o Mocotó carrega desde o início – e que Rodrigo, sabiamente, manteve. Por isso, mesmo depois de melhorar a qualidade dos ingredientes, o Mocotó continuou a praticar preços acessíveis a todos. Com R$ 15 é possível fazer uma refeição completa no local – o ganho da empresa vem da escala.

O DNA da cozinha foi preservado, mas os sabores nordestinos funcionaram como ponto de partida para que Rodrigo criasse suas receitas. Com pesquisa, talento e técnica, ele mudou parte do cardápio. Mas teve de submeter cada novo prato ao crivo do pai. “Ele é formado em gastronomia, mas eu sou formado em ‘mocotologia’. Eu sei bem do que os clientes gostam”, ironiza seu José.

Gestão
Além da cozinha, Rodrigo melhorou também a gestão do Mocotó. Para o chef, o principal erro já cometido pelo restaurante foi permitir que os funcionários cumprissem uma jornada árdua. “Eu e meu pai sempre achamos normal trabalhar 14, 16 horas. Nós fazemos isso, então, as pessoas que trabalham aqui também faziam”, diz. “Mas é uma situação que não se sustenta”, conclui o empresário.

Além de registrar todos os 54 funcionários e respeitar o expediente, Rodrigo aprimorou os cuidados que o pai já dispensava à equipe. Manteve o hábito de só contratar conhecidos (deles e dos funcionários) e de fazer todos começarem pelos cargos mais baixos. Mas passou a oferecer treinamento, melhorou a remuneração fixa e instituiu a divisão igualitária dos 10% pagos pelos clientes.

Seu José e Rodrigo nem sempre – ou quase nunca – concordam sobre os rumos do negócio. “Eu sou estourado e o Rodrigo é cabeça dura”, define o pai. Rodrigo avisa que pretende abrir, em breve, um novo restaurante na região. Mas seu José não gosta da ideia. “Eu e meu pai sempre discutimos”, admite o filho. “Mas quando vamos embora do restaurante eu falo ‘bênção, pai’, e ele me dá um beijo e a bênção."


Fonte: Estadão PME

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Cardápio saudável, negócio rentável

Maior empresa do segmento em Goiânia (GO), República da Saúde conta com mais de dois mil itens no empório para quem procura alimentação saudável

Foto: Silvio Simões
Planejado para ser espaço de bem-estar, saúde e qualidade de vida, a República da Saúde tem se tornado referência em Goiânia (GO) quando o assunto é restaurante e empório de produtos naturais e orgânicos. A ideia de criar o estabelecimento surgiu do administrador de empresas, professor universitário e chef de cozinha, Antônio Martins Costa Neto, mais conhecido como Tony Martins.

Foram quatro anos de pesquisa, avaliação de cenários, de perfil de consumidores e de rentabilidade do mercado – que se revelou promissor e com excelentes oportunidades de crescimento. O resultado do trabalho foi a inauguração, em janeiro de 2008, do espaço, que leva o nome República da Saúde para passar a ideia de grandiosidade e variedade, junto com ambiente saudável.


Desde o início das atividades, o restaurante e o empório passaram por melhorias na estrutura e, hoje, são as maiores empresas do segmento de produtos naturais e orgânicos da capital goiana. São mais de dois mil itens no empório, de barrinhas de cereais até suplementos alimentares; e no restaurante é servido buffet, por pessoa, no almoço, com diversos tipos de salada, e jantar à la carte, com pratos feitos com azeite e nada de frituras.


Com o passar dos anos, o estabelecimento também ganhou salão de eventos, serviço de buffet para festas e uma novidade pouco conhecida em Goiás: espaço de coworking, que nada mais é do que ‘o ato de trabalhar junto’, em que profissionais de diferentes áreas podem compartilhar recursos, ferramentas etc.


Capacitação e qualificação


A República da Saúde, que possui capacidade para atender 180 pessoas, também representou oportunidade de emprego para 30 profissionais de várias áreas. O sucesso do negócio se deve ainda aos investimentos em capacitação e qualificação profissional. Tony Martins afirma que, tanto ele quanto os demais colaboradores passaram e passam por cursos, inclusive os oferecidos pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Goiás). 
 
Ele confirma a participação em cursos e workshops ministrados por profissionais do Sebrae para o Festival Brasil Sabor, além do projeto Restaurante Inteligente, que tem como objetivo qualificar gestores de mil micro e pequenas empresas do setor de alimentação em todo o Brasil.

Para se tornar referência em alimentação saudável, é preciso se preocupar com todas as etapas do negócio, explica o proprietário. A aquisição da matéria-prima e ingredientes para o restaurante e o empório integram essa lista. Tanto é que o próprio Tony busca sempre, ele mesmo, escolher, em uma fazenda localizada em Teresópolis, município próximo a Goiânia, os itens, frescos, que irão compor o cardápio.


Investimento


Sem revelar a quantia necessária para abrir um negócio como a República da Saúde, Tony apenas cita que os números são bem mais altos que os tradicionais, por causa do tamanho do empreendimento e do padrão de qualidade definido para o estabelecimento. Mas ele ressalta que não pode faltar paixão pela área de atuação. “É preciso amar o que faz, além de pesquisar muito, inclusive participando de eventos do segmento. Tem que ter conhecimento em alimentação saudável”, enfatiza.


Outro aliado dos negócios são as redes sociais. Percebendo a necessidade de investir em um marketing ‘arrojado’, a República da Saúde contratou empresa especializada nesse mercado. Dessa forma, Twitter e Facebook, por exemplo, são atualizados diariamente com informações sobre o restaurante e o empório.


 


Serviço:
República da Saúde: (62) 3942-6575

Rua 89, 655, Setor Sul – Goiânia (GO)
Site: www.republicadasaude.com.br
Facebook: www.facebook.com/republicadasaude
Twitter: @repsaude
Agência Sebrae de Notícias (ASN Goiás): (62) 3250-2268
Central de Relacionamento Sebrae: 0800 570 0800
Oficina de Comunicação: (62) 3225-4899

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Quem é a empreendedora que virou exemplo para o Brasil

A empreendedora individual Neila de Macedo é apontada como caso de sucesso no programa Café com a Presidenta

Foto: Divulgação
A história de sucesso da empreendedora piauiense Neila de Macedo, proprietária do Atelier Dita, foi destaque no programa Café com a Presidenta, veiculado nessa segunda-feira (30), na emissora de rádio da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). Na entrevista Dilma Rousseff destacou o quanto a formalização do negócio melhora a vida do Empreendedor Individual (EI), citando o exemplo de Neila.

“Neila de Macedo tem 27 anos e mora lá em Teresina, no Piauí. Há uns cinco anos começou a fazer roupinhas de boneca e acessórios femininos para vender. No começo ela trabalhava em casa e, com as vendas, ganhava um salário mínimo por mês. Quando a Neila conheceu as facilidades do EI, resolveu formalizar o seu negócio e abrir uma loja para aumentar a clientela. Com CNPJ, ela pode comprar o material direto das fábricas, sem intermediários. Agora, a Neila vende até com cartão de crédito. Nos últimos dois anos, a renda de sua empresa mais que triplicou”, contou a presidente.

Dilma falou que o Supersimples, que este mês completou cinco anos, é um modelo gerador de oportunidades para todos, de inclusão para a pequena empresa e para milhões de trabalhadores. “O Supersimples é um regime tributário diferenciado, importante para as micro e pequenas empresas e para a economia do país. Nenhum país tem um programa de incentivo tão forte quanto o Brasil. O Supersimples, como o próprio nome já diz, simplifica a burocracia e reduz a carga tributária, diminuindo custos e facilitando a formalização”, destacou.

A presidente falou ainda que além do apoio do governo à formalização, os EI podem também procurar o Sebrae para aprender a administrar melhor seus negócios e fazer suas empresas crescerem. Ainda durante a entrevista à EBC, Dilma ressaltou que as micro e pequenas empresas são as grandes geradoras de oportunidades, riqueza e renda para o país, sendo responsáveis por um em cada quatro empregos com carteira assinada no Brasil.

Atualmente, 6,5 milhões de empresas são optantes do Supersimples. Desse total, 2,2 milhões são Empreendedores Individuais. O Piauí já conta com cerca de 25 mil trabalhadores formalizados por meio do EI. “O número de EI vem crescendo ano a ano. Em 2011 comemoramos um milhão de adesões. Este ano, já somamos mais de 2,2 milhões de Empreendedores Individuais”, comentou Dilma na entrevista.

Os impostos para os EI são bastante reduzidos. O empreendedor paga apenas 5% do salário mínimo, como contribuição para a Previdência Social; mais R$ 1,00 de ICMS, se atuar no comércio ou na indústria; ou R$ 5,00 de ISS, se for prestador de serviços. A presidente destacou a importância dos EI pagarem as contribuições mensalmente para ter os direitos assegurados, como acesso aos benefícios previdenciários e emissão de nota fiscal.


Fonte: Agência Sebrae de Notícias

terça-feira, 17 de julho de 2012

Empresa fatura R$ 1,5 milhão com franquia de coxinhas, quibes e afins

Edson Braga investiu R$ 2,5 milhões para lançar a primeira rede de delivery e fast food de salgados do país

Foto: Reprodução
As quituteiras de plantão que se cuidem. O empresário cearense Edson Braga decidiu colocar um pouco de pressão na categoria. Há quatro anos ele passou a investir em gestão e tecnologia para profissionalizar o mercado de encomendas de coxinhas, quibes, risoles de queijo e afins. 
 
Já desembolsou R$ 2,5 milhões para estruturar a primeira franquia de delivery de salgados do Brasil, que não por acaso chama-se Salgados do Brasil. Agora, acaba de reestruturar a ideia. Além das entregas, quer também oferecer as guloseimas dentro da loja, que vai virar uma rede de fast food de salgadinhos, sempre no modelo de franquias.

A empresa tem 1 ano de vida e, até agora, arregimentou três franqueados – em Fortaleza (CE),  São Luis (MA) e Brasília – além de duas lojas próprias na capital paulista, nos bairros de Perdizes e Vila Olímpia. Com faturamento de R$ 1,5 milhão nos primeiros doze meses e previsão de dobrar as cifras em 2012, o negócio vende como principais atributos a qualidade – “não é conversa de vendedor, mas nossos salgados são ótimos” – e a eficiência produtiva, com capacidade de atender pedidos de entrega de até mil salgados em 30 minutos.

“Olha, salgado todo mundo faz. Mas o mercado, até então, é assim: tem os produtos caseiros, que têm qualidade mas é informal demais, e os industriais, que são muito ruins. O nosso tem escala, mas com qualidade. Apesar de nosso investimento em máquinas, a gente ainda finaliza muita coisa na mão”, destaca Braga.
Além da Salgados do Brasil, há 10 anos ele toca uma fábrica de massas e de sobremesas instalada em São Paulo. Foi da experiência colhida no comando desse empreendimento que Edson Braga conta ter azeitado o projeto da Salgados do Brasil.

“A gente pensou a principio na ideia como um delievery apenas. Mas percebemos que o cliente também quer ver de onde o produto sai e, uma vez lá, sentar e degustar. Por isso introduzimos o modelo de restaurante, com mesas e cadeiras para servir na hora”, afirma o empresário.

O empreendimento foi projetado para oferecer dois modelos de franquias: o de fast food, que exige investimento total de R$ 300 mil, além do imóvel que deve ter entre 35 a 60 metros quadrados; e o food service, com desembolso de R$ 400 mil e loja de 80 a 100 metros quadrados.

Enquanto o primeiro perfil de loja, mais barato, atende a demanda dos clientes por delievery e no restaurante, o segundo formato tem também licença e equipamentos para fornecer salgados para o comércio, restaurantes, padarias e lanchonetes do entorno.  “Existe uma grande demanda também nesse segmento corporativo. Fornecimento é um problema para essas empresas”, conta o empresário.

O retorno do investimento, para ambos os formatos, é estimado para 3 anos.


Fonte: Estadão PME



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ex-morador de rua vira empresário e fatura R$ 100 mil ao mês

Depois de falir e morar nas ruas, empresário deu a volta por cima e tem 340 microfranquias

Por: Patrícia Basilio
Foto: Eduardo Anizelli

Marcelo Ostia é exemplo de superação
A primeira empresa de Marcelo Ostia,31, faliu. Vindo do interior de São Paulo para a capital, ele sobreviveu com R$ 4 por dia. Alugou vaga de estacionamento, mesmo sem ter carro, para fugir da violência das ruas. No inverno, tomou banho em um tanque de lavar roupas de uma indústria e, por isso, era vítima de gripes frequentes. Conseguiu se reerguer: hoje é empresário com loja própria e 340 microfranquias. 

Confira abaixo o depoimento do empresário concedido à Folha

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Descobri que havia nascido para trabalhar com confecção aos sete anos, quando ganhei uma camiseta do Batman e fiquei curioso para saber como ela havia sido feita.

Aos 18 anos, confirmei a teoria ao abrir uma empresa de estamparia de roupas em Itu [a 101 km de São Paulo], cidade onde moro hoje. Ganhei muito dinheiro [com o negócio], mas como era "filho de papai", não soube aproveitar a oportunidade. 

O empreendimento chegou ao fim quando tomei calote de R$ 4.500 de um dos clientes e fiquei no vermelho. Para microempresas, qualquer perda é um grande prejuízo. 

Falido e desempregado, fui para São Paulo com R$ 50 para vender peças personalizadas e reerguer minha vida financeira. Durante um mês, sobrevivi com R$ 4 por dia.

Para não dormir na rua, aluguei um estacionamento no Brás (centro de São Paulo). Não tinha carro, mas usava a vaga para descansar. Era uma forma de me proteger da violência nas ruas. Dormia sobre um cobertor velho e usava camisetas com defeito como travesseiro. 

Durante o inverno, tomava banho no tanque de uma fábrica sem xampu nem sabonete. Sentia frio e pegava gripe com muita facilidade.

No começo da noite, vagava pelas ruas para evitar o barulho do entra e sai de carros no estacionamento.

TAPA NA CARA
 
A minha vida mudou quando tomei um "tapa na cara" do destino: recebi uma blusa usada de representantes da prefeitura em uma campanha que dá roupas a pessoas carentes. Eu, que vendia peças novas, aceitei uma antiga. 

Era com essa camiseta que me cobria enquanto dormia no estacionamento. Três meses depois de chegar a São Paulo, a mãe de um colega me chamou para morar com ela e deixar as ruas. 

Era uma muçulmana de quem até hoje só consegui ver os olhos [por causa da vestimenta]. Fico triste por saber que, se encontrá-la, não a reconhecerei para agradecer o que ela fez por mim e pela minha carreira. 

Os planos na capital foram interrompidos quando soube que minha namorada, em Itu, estava grávida. Voltei ao interior disposto a ser empregado para criar o bebê.
Fiquei três meses distribuindo currículo e consegui emprego como auxiliar administrativo em uma fábrica. Mas a alegria não durou muito. Um salário mínimo não foi suficiente para sustentar a minha filha. 

RECOMEÇO
 
Para complementar a renda, voltei a vender camisetas personalizadas em um portal de compras. Foi um recomeço em 2004. 

Meu interesse de infância em empreender foi atiçado, apesar de ter falhado na primeira tentativa. Juntei R$ 300 e montei um site para mostrar e vender as peças. A ideia deu frutos e, depois de um ano, transformou-se no site Camisetas da Hora. Deixei de ser empregado.
Hoje vendo cerca de 8.000 camisetas por mês e tenho faturamento mensal de R$ 100 mil, loja própria em um shopping na cidade de Itu e 340 microfranquias distribuídas pelo Brasil.

A minha meta como empreendedor é chegar a mil microfranquias no país, exportar as peças e ser reconhecido como o maior empresário de camisetas do mundo.
Minha história fez toda a diferença para o sucesso como empreendedor.
As dificuldades me fizeram ser uma pessoa melhor e mais humilde, compreensiva e paciente. A camiseta usada que ganhei na campanha está hoje emoldurada e pendurada em uma das paredes da empresa. 

Fonte: Folha de São Paulo